29.3.09

Divida e depois multiplique


E quando a alegria é tão grande que não cabe na gente?
O que a gente faz com ela?
Eu sei. Você também quer saber?
Deixe que ela fuja pelos olhos, pela boca, pelos braços...
Porque alegria é bicho que viaja, que nem pombo-correio, sempre volta pra gente, sempre traz surpresa com ela, uma nova alegria escondida na bagagem: uma alegria-prima, uma alegria-irmã, uma alegria-tia. E a família-alegria só vai crescendo e enchendo a casa da vida de mais harmonia, de mais esperança.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

23.3.09

Respeitável público!


A cidade vai embora tão depressa como a lembrança de quem fingiu amor e desperdiçou palavras em poemas que nunca existiram.

E o menino fica ali, à espera de uma gota de aplauso sem perigo, porque para ele a vida um dia vai ser um circo.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

12.3.09

O garoto voa-dor


Se você tem medo de altura, vá embora. Mas eu sugiro que confie em mim. Pois sou melhor que o vento que bagunça os cabelos arrumadinhos. E tão honesto quanto o amor que você chora nessas lágrimas. Porém me divirto rodando as pipas que somem pelo céu. Já fiz as folhas de outono se perderem em qualquer canto. Eu pareço e sou bonzinho. Mas voarei pra longe até te encontrar. Às vezes, faço que caio, faço que pulo, faço que minto, só para você olhar um segundo. No fundo, eu quero ser as flechas certeiras que ferem seu azul-coração. Eu acho que o tempo me envelhece, mais que o sol deste verão que se vai. Não tenha pena de mim, consigo voltar brilhando no escuro. Eu posso cantar um sonho, aquele que você mais quer! Eu posso me fazer de alguém. Você me inventa e eu serei.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

5.3.09

Querido medo


Pelo buraco da fechadura, com um olho só, ele avistou uma tarde de ouro. Ouviu gritos de festa e o barulho de felicidade.
Cá dentro, o assobio fino do maior silêncio do mundo deixava seus ouvidos com dor.
Era uma vontade que ele tinha de esticar as pernas, de abrir os braços assim bem grande, de pular no alto, de esquentar sol...
Mas e a porta fechada? Quem é que vinha para abrir?

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

3.3.09

Recordo um amor que perdi


E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver (...)

“Resposta ao tempo” - NANA CAYMMI

1.3.09

Imaginação


Ficou na pontinha do sonho
Querendo ser outro alguém
Pensava que a felicidade
Morava mais além...

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

Sonho de viver em paz


Há paisagens que a gente não escolhe.
Sendo assim,
eu só espero pra mim
a paz de um voo sem medo.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA