10.9.08

Tears


Bem na hora do rush. Lágrimas solitárias. O barulho do trânsito abafou o som do choro. Não sei por que olhei para o lado e a vi em prantos. Dava para perceber que havia soluços. Ela chorava. Chorava muito.

Os vidros do carro estavam fechados. Buzinei. "Precisa de ajuda?", gritei. Mas não ouviu. Fiquei preocupado. Às vezes reclinava um pouco o corpo na direção do volante. Atônita.

Qual o motivo daquele choro? Talvez pudesse ter sido demitida. Talvez uma briga com o namorado. Talvez não. Talvez uma traição. Talvez uma despedida. Talvez uma doença. Talvez a morte. Talvez um sonho perdido. Talvez o rompimento e o início da dor do amor. Talvez nada disso. Talvez...

O sinal se abriu. Os carros arrancaram. Ela se foi. Levou o choro embora.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

Um comentário:

Luiza Paes disse...

Um dos meus favoritos. Não sei se sou eu, mas parece que cada vez seus posts melhoram. Aí eu releio os antigos e vejo que não. Você escreve muito bem mesmo. Você é desse jeito, de fazer os outros sonharem. De fazer todos acreditarem nas suas palavras, elas sendo verdade ou não. Mas, não é só porque algo foi sonhado, que é menos importante do que o que a gente vive enquanto acordado, não é mesmo?
Beijos e abraços da amiga blogueira Luiza